sábado, 8 de dezembro de 2018

1º Texto - Magazine Histórico do 6º Ano - EMEF Leandro Klein


História: o que é isso?
professor Pedro Henrique Ramos
Em nosso primeiro texto, uma fantástica entrevista! Isso mesmo! Entrevistamos um ex-aluno nosso, hoje um fantástico historiador. Seu nome? Guilherme Azzi!
Acredite, um dia Guilherme sentou-se nas cadeiras da EMEF Leandro Klein! Hoje, é professor de História. Ele quis nos contar um pouco sobre o que é História, como ocorrem as pesquisas nessa área e tudo (ou boa parte) do trabalho de um historiador.
Abaixo, uma imagem de nosso entrevistado com a sua companheira. Luray.
Magazine Histórico (MH) - Olá, caro Guilherme Azzi!
Guilherme Azzi (GA) - Olá, amadxs alunxs do sexto ano!
MH - Como o senhor deve saber, uma galera nova acabou de ingressar no Ensino Fundamental II da EMEF Leandro Klein! E o pessoal está cheio de perguntas.
GA – Nossa, fico muito em feliz em poder contribuir. Fui aluno dessa escola. Sei da enorme importância em se levar a sério os estudos, especialmente quando estamos em uma escola pública. Por isso, garanto que irei responder às perguntas com o máximo de atenção.
MH - Que legal! Vamos começar. Guilherme, a História nos ajuda a responder perguntas do passado?
GA - Sim, com certeza! Mas não está somente ligada ao passado. Ela possibilita que conheçamos como as pessoas trataram seus problemas do cotidiano e, com isso, como esse conhecimento pode nos ajudar a lidar com o mundo em que vivemos.
MH - E como “chegamos” a esse passado?
GA - Através de fontes históricas, vestígios – como um jornal antigo, fotos – deixados pelas pessoas que viveram no passado. E tais vestígios não se limitam somente a fontes escritas. Pode ser um prédio do século passado no centro da cidade, pinturas de artistas das mais variadas épocas etc. São esses vestígios que dão suporte básico ao trabalho do historiador.
MH - Existem verdades absolutas no estudo histórico?
GA - Não é possível construir verdades absolutas. As respostas que um historiador encontra também são fruto de como as perguntas foram feitas. Assim, respostas são exercícios de interpretação, mas que sempre devem respeitar a verdade, a análise do fato. Nesse momento, o pesquisador não pode agir de maneira parcial, escolhendo parte daquilo que pesquisou.
É importante também deixar claro que as perguntas de um pesquisador podem complementar as dúvidas de outro. E isso também funciona com as respostas. Isso explica o porquê de existirem centenas de livros sobre um mesmo assunto. Não seria lógico escrever as mesmas coisas em vários livros. Portanto, são livros diferentes porque trazem informações diferentes e que se complementam, às vezes se opõem, mas sempre auxiliam o estudo do passado.
MH - Todo historiador é um pesquisador?
GA – Sim! Também podemos chamá-lo de investigador. No caso do historiador, o seu trabalho se desenvolve no campo das ciências humanas – e isso não exclui a participação de outras ciências. De forma alguma!
MH – O senhor é professor, certo?
   GA – Sim!
MH – E historiador?
GA – Sim! Uma profissão auxilia a outra. Isso porque para preparar suas aulas e responder as perguntas dos alunos e suas próprias dúvidas, o professor deve estudar! E, ao estudar, um historiador tem condições de ensinar o que aprendeu.
MH - Somos todos sujeitos da história?
GA - Sim, e é simples concluirmos isso. Nessa sala de aula quantas histórias não há? Quantos fatos, quantos costumes diferentes? Ideias e escolhas diferentes, posições diferentes. Então, somos sujeitos de nossa história, e o nosso destino estará ligado as nossas escolhas e ações.
A nossa história é uma construção diária, e nos levará aos dias futuros.   
MH – Quais são os principais instrumentos de trabalho de um historiador?
GA – Nossa, são vários! Indicarei alguns.
Livros, sejam aqueles voltados para assuntos específicos de História (por exemplo, um livro que trata da Independência do Brasil) ou mesmo livros de literatura. Vou dar um exemplo. “Germinal”, de Émile Zola (1840 – 1902), narra de forma magnífica como viviam os trabalhadores das minas de carvão na França do século XIX. Trata-se de uma obra literária que nos dá uma verdadeira aula de História.
MH – Muito legal!
GA – Há também os documentos, documentos dos mais diversos tipos.
Um exemplo pode ser visto a seguir. Trata-se do documento com o hino de independência do Brasil.
Olhe que legal!
MH – Caro Guilherme, uma curiosidade! Para ser um documento histórico precisa ser algo antigo?
GA – De forma alguma. Matérias de jornal do dia de hoje podem se configurar em importantes documentos históricos. E, por isso, servirão de fonte de informações para pesquisas futuras.
Mas há também os fósseis! Aliás, a pesquisa com fósseis comprova que jamais podemos pensar em fazer uma pesquisa usando apenas uma área do saber.
MH – Como assim?
GA – O professor Pedro adiantou, em uma conversa que tive com ele, que vocês terão textos acerca da descoberta de novos fósseis sobre a evolução humana.
Para descobrir informações sobre os vestígios dos primeiros seres humanos, historiadores precisam do auxílio de químicos, biólogos, geógrafos... É a montagem de um quebra-cabeça!
A seguir, a imagem de um fóssil humano.
MH – Muito obrigado, amado Guilherme Azzi! Aprendemos muito!
GA – Eu que agradeço! Aproveitem muito! Tudo! Abraços!
Abaixo, seguem os dois primeiros exercícios de revisão! Vamos fazer!
Exercícios de Revisão
1) Pesquise no dicionário e escreva abaixo o significado da palavra História (atenção: não precisa escrever todos os significados. Escolha um!).
2) Vamos pensar um pouco: duas pessoas que observam o mesmo acontecimento, irão contar o fato da mesma maneira, com as mesmas palavras? Argumente.

2º Texto - Magazine Histórico do 7º Ano - EMEF Leandro Klein


Monarquia e República romanas
professor Pedro Henrique Ramos
A pergunta que abre o nosso 2º texto é a seguinte: qual o motivo (ou motivos) para não produzir um texto para cada um dos períodos acima?
Bem, a resposta pode ser dada pelo fato de que, ao falar sobre a monarquia romana, as pesquisas ainda caminham muito pelo campo das incertezas (aquela ideia de fato - mito, lembra?), o que justifica a junção com o 2º período da Roma Antiga, a República. E, sobre a República romana, fique tranquilx! Certamente teremos outros textos.
Para começar, vamos tratar do primeiro período da Roma Antiga, a Monarquia!
A monarquia romana (753 – 509 a.C.)
Vamos reforçar a ideia de que muitas dúvidas ainda permanecem sobre esse primeiro período. Mitos e fatos verídicos se misturam, o que dificulta uma análise histórica mais precisa. “O primeiro período da história romana foi resgatado através de um conjunto de lendas, criadas, na sua maioria, no final do período republicano e primórdios do período imperial, com o intuito de justificar a grandiosidade e a força romanas" [1].
Aponta-se a existência de cinco principais elementos no período monárquico: 1º a chegada dos povos formadores; 2º a disputa entre Rômulo e Remo, resultando na vitória do primeiro e na formação da Monarquia; 3º os conflitos entre os povos formadores; 4º a consolidação dos etruscos no poder; 5º no final do período monárquico a expulsão dos etruscos do controle político.
No período monárquico a economia estava baseada nas atividades agrícolas e no pastoreio. “A sociedade de caráter estamental e patriarcal, tinha nos patrícios e plebeus seus principais segmentos. Os patrícios eram os grandes proprietários (aristocracia rural) e os plebeus representavam os pequenos proprietários, camponeses, artesãos e estrangeiros”[2].
A monarquia romana, segundo as lendas, possuiu sete reis, sendo que os dois primeiros foram latinos (o primeiro foi Rômulo), em seguida dois reis sabinos e depois três etruscos. Portanto, a ideia de sete reis, representando as sete colinas, parece caminhar muito mais para o campo mitológico do que efetivamente factual.
O domínio dos etruscos ocorreu através da dinastia dos Tarquínios, tendo como monarcas as seguintes pessoas:
Tarquínio Prisco (616-579 a.C.): primeiro rei dessa dinastia. Foi o responsável por introduzir características etruscas à cidade de Roma. Assim, deuses etruscos e os hábitos de interpretar os presságios foram introduzidos no cotidiano das pessoas.
Tarquínio Prisco fez inúmeras obras pela cidade de Roma, dentre as quais a construção dos primeiros sistemas de esgoto do mundo, tendo como obra emblemática a Cloaca Máxima. "Iniciou as obras do Capitólio, o maior templo romano destinado a Júpiter, ampliou a cavalaria e o senado, criou estabelecimentos públicos destinados aos jogos e divertimentos. Foi assassinado pelos descendentes de Anco Márcio"[3], que fora rei antes dele.
A Cloaca Máxima, um dos primeiros sistemas de esgoto do mundo.
Sérvio Túlio (578-535 a.C.): conhecido  por Mastarna, assim como a história da monarquia, sua vida é marcada por narrativas carentes de confirmação.
Fato é que reorganizou a cidade Roma, construindo muralhas no seu entorno[4], dividiu a sociedade em classes sociais de acordo com  o seu poder aquisitivo.
Sérvio Túlio também foi o responsável por organizar os primeiros censos populacionais, criando um hábito que se tornou comum em Roma. "Foi assassinado pelo seu genro que se tornaria o último rei de Roma, Tarquínio, o Soberbo"[5].
Chegamos ao último rei romano, Tarquínio, o Soberbo. A história deste rei mistura-se com os eventos que levaram ao fim da monarquia romana.
Governando entre 534 e 510 a.C, Tarquínio era  filho de Tarquínio Prisco, "e teve seu reinado marcado pela não aceitação popular e nem pelo senado. Foi considerado um tirano por todos os historiadores antigos, principalmente pelo fato de ter conseguido o seu trono à força após ter matado o seu sogro Sérvio Túlio"[6].
Porém, foi em seu reinado que Roma passou a controlar áreas maiores do que a própria cidade e dar início a um pequeno, porém real,  processo de expansão. Sob a liderança de Tarquínio, os romanos dominaram áreas de quase todo o centro da Itália. Também conclui uma série de obras em Roma, dentre as quais o Templo de Júpiter e a Cloaca Máxima, ambas iniciadas pelo seu pai, Tarquínio Prisco.
Mas... Sua impopularidade e algumas das medidas que adotou levaram a um conflito aberto com o Senado. Cada vez mais os reis foram concentrando funções, entre elas executivas, judiciárias e religiosas, o que desagradou o “Conselho de Anciãos” (o Senado), controlado pelos patrícios e que poderia vetar as decisões dos monarcas. Além disso, tínhamos Assembleia Curiata, responsável por executar a lei, sendo formada por todos os cidadãos em idade militar.
 A seguir, uma fantástica imagem da península Itálica durante o domínio dos etruscos. Perceba que havia outras cidades além de Roma, mas foi esta que deu origem à civilização romana.  
O poder do rei assumiu características baseadas no aspecto militar com uma base religiosa muito forte, não se esquecendo das demais funções, fazendo com que a Dinastia Tarquínio ficasse marcada por um forte domínio e centralização política, já que as assembleias populares e o Senado pouco participavam das decisões dos reis etruscos. Isso gerou uma série de revoltas, o que deu início à crise do período monárquico e o aparecimento de uma nova forma de governo: a República. Era o início do segundo período da Roma Antiga.
O início da República Romana (509 - 27 a.C.)
Fundamentar uma opinião é algo muito importante! Escrevo isso porque considero a República Romana o período mais importante da Roma Antiga. E, nos parágrafos vindouros, deste e de textos próximos, você terá a oportunidade de decidir se concorda ou não comigo.  
Considerada como a fase em que o Senado romano assumiu uma grande importância, ou seja, um grande poder político, durante a República os senadores, de origem patrícia, cuidavam das finanças públicas, da administração e da política externa, enquanto que as atividades executivas eram exercidas pelos cônsules e pelos tribunos da plebe. Perceba, portanto, que houve a criação de novos cargos políticos. Roma foi se tornando mais complexa. E os problemas também.
Infelizmente, não poderemos mergulhar em tudo que ocorreu no período republicano. Mas, vamos nos reservar ao direito de entender o porquê do início da prática de se escrever as leis.
As primeiras leis escritas romanas surgiram no século V a.C., momento em que a plebeu começou a ganhar cada vez mais importância, uma vez que estava crescendo e assumindo grande importância econômica. Assim, foi criado o Tribuno da Plebe (Tribunus plebis), focado em uma luta contínua e incansável para diminuir a exploração imposta pelos patrícios.
Fundamental para a conquista desses anseios foi a adoção das leis escritas, uma vez que, sem as mesmas, os patrícios faziam o que bem entendiam.
Vamos a um exemplo.
Uma das formas mais brutais de exploração dos patrícios sobre os plebeus foi quando estes iam obrigados para a guerra e acabavam abandonando as suas terras. Terras abandonadas não produzem nada. Ao voltar, o plebeu era obrigado a pedir ajuda financeira aos patrícios para reativar a sua produção agrícola. Caso não tivesse condições de sanar a dívida (pagar aquilo que emprestou) com o patrício, o plebeu tornava-se escravo (a chamada “escravidão por dívidas”), o que fez com que a escravidão aumentasse muito em Roma.
Diante dessa situação, os plebeus passaram a se revoltar, exigindo o fim da escravidão por dívidas e uma melhor distribuição de terras públicas (aquelas que pertenciam ao Estado). Estas terras, originadas das conquistas, eram propriedade do Estado e deveriam ser distribuídas entre a população romana. Porém, sem o resguardo das leis escritas, as melhores terras acabavam nas mãos dos patrícios, gerando um número expressivo de plebeus sem terras.
Em 494 a.C., tivemos a primeira revolta dos plebeus. Consequentemente, os patrícios perceberam que a coisa estava ficando séria. Foi criado o Triuno da Plebe, visando diminuir as insatisfações. E, graças aos tribunos da plebe, em 461 a. C.  as leis passaram a ser escritas. Foram criadas duas comissões para a realização dos primeiros registros escritos das leis, "e o resultado desse trabalho foi a promulgação das doze tábuas de leis que representam o fundamento do Direito Romano"[7].
É muito curioso perceber que tais conjuntos de leis NÃO abordavam conteúdos religiosos, tratando diretamente de aspectos socioeconômicos da civilização romana. As doze tábuas de leis também ficaram conhecidas por Lei das Doze Tábuas.
Imagem representando os debates que levaram à criação da Lei das Doze Tábuas. Nesse conjunto de leis estava estabelecida a proibição da escravidão por dívidas. Em 445 a.C. tivemos a Lei Canuleia, permitindo o casamento entre patrícios e plebeus. Voltaremos a falar dessa união. Em 366 a.C. foi eleito o primeiro cônsul plebeu, com direito de ingresso automático no Senado.É interessante observar que tais conquistas partiram de uma movimentação de uma camada social desfavorecida, a plebe. E que no decorrer das conquistas o movimento foi dirigido por uma espécie de “plebe rica”. Essa plebe rica era formada por plebeus que haviam se casado com patrícios. Tal plebe rica se separou socialmente da “plebe pobre”, formando uma nova classe social: a nobilita.
Além do mais
Olá! Sou vidrado em esportes. E um dos esportes que mais venero é o futebol. É certo que nem gregos e nem romanos jogavam bola na Antiguidade Clássica, até porque o futebol, tal qual o conhecemos, só surgiu por volta de cem anos. Mas quem disse que a Antiguidade Clássica não deu uma mãozinha? Veja só.
Dias atrás eu comprei uma caixinha com seis times de futebol de futebol. Convidei meu amigo, Pedro Duque, para jogar. Abri a caixa, preparei os dois times: ele jogou com o Olympiakos, um time grego, e eu com a Roma.
Espia na imagem ao lado o que tem no símbolo da equipe do Roma! Isso porque o time faz referência à cidade. E a cidade teria sido fundada, segundo o mito, por Rômulo e Remo. Está provado: esporte é conhecimento. Futebol é cultura!
Exercícios de Revisão
1) Indique duas características do domínio dos etruscos sobre a civilização romana.
2) Agora, escreva duas características da monarquia romana. 


[1] CIÊNCIAS HUMANAS – Pré Vestibular: Volume 1 – São Paulo, Editora COC, 1999. p. 144
[2] CIÊNCIAS HUMANAS – Pré Vestibular: Volume 1 – São Paulo, Editora COC, 1999. p. 144
[3] https://www.infoescola.com/historia/monarquia-romana/
[4] eis o motivo para o nome das muralhas que você viu no mapa do texto http://respirehistoria.blogspot.com/2018/12/1-texto-magazine-historico-do-setimo.html
[5] https://www.infoescola.com/historia/monarquia-romana/
[6] https://www.infoescola.com/historia/monarquia-romana/
[7] Leoni, G. D. “A Literatura de Roma” – 6ª ed. – São Paulo: Livraria Nobel S. A., 1961. p. 21

1º Texto - Magazine Histórico do 7º Ano - EMEF Leandro Klein

As raízes históricas e mitológicas de Roma
professor Pedro Henrique Ramos
Olá! A partir de agora, mergulharemos nos fundamentos que originaram a Roma Antiga.
Estudar Roma é de extrema importância, e, isso por inúmeros motivos. Listemos alguns.
Muitos dos idiomas atuais possuem sua língua-mãe, ou seja, a que deu início a sua formação, no latim. E o latim foi uma dos idiomas falados na Roma Antiga. Outro aspecto é que algumas das nossas características culturais são heranças diretas da Roma Antiga. Sendo assim, dos “romanos, herdamos uma série de características culturais. O direito romano, até os dias de hoje está presente na cultura ocidental, assim como o latim,  que deu origem a língua portuguesa, francesa, italiana e espanhola”[1].
Roma também deu continuidade às características culturais da Grécia Antiga. Não à toa, a “literatura romana é, portanto, a mais direta continuadora da literatura grega, a sua maior e melhor herdeira” [2]. No entanto, compete escrever que os romanos não se limitaram a copiar as características e estruturas gregas, mas sim adaptá-las as suas necessidades, muitas vezes inovando.
O ponto de origem
Antes de dividir a História da Roma Antiga em períodos, algo que é costumeiramente feito pelos historiadores, vamos analisar seu processo de formação, fazendo duas abordagens: mitológica e histórica. Ambas misturam-se, ficando difícil definir onde termina uma e começa a outra. Aliás, a mistura de mitos e fatos é algo bem típico na história das civilizações, principalmente as da Antiguidade.
Comecemos pela análise mitológica.
O mito de Rômulo e Remo
As origens da civilização romana estão muito ligadas a um mito: o mito de Rômulo e Remo.
“Diz a lenda que Roma foi fundada no ano 753 a.C. por Rômulo e Remo, filhos gêmeos do deus Marte e da mortal Rea Sílvia. Ao nascer, os dois irmãos foram abandonados junto ao rio Tibre e salvos por uma loba, que os amamentou e os protegeu. Por fim, um pastor os recolheu e lhes deu os nomes de Rômulo e Remo. Depois de matar Remo numa discussão, Rômulo deu o seu nome à cidade”[3].
Escultura remetendo ao mito de Rômulo e Remo. 
É válido dizer que a escolha da figura da loba dentro da narrativa desse mito não foi uma escolha aleatória. A loba remete à força, a astúcia, retomadas como fundamentos pelos romanos, principalmente quando estes se dispuseram a contar a sua história, as suas origens.
As raízes históricas
Impressiona saber que a civilização romana teve seu início como uma mera aldeia de agricultores, tornando-se posteriormente uma cidade-estado para que, nos primeiros séculos da Era Cristã, passasse ser um império com território em três continentes.
Além dessa incrível expansão geográfica, o curso da História romana interferiu diretamente em quase todos os campos dos períodos vindouros, principalmente quando abordamos a chamada civilização ocidental.
Mas, o começo da civilização não teve nada de grandioso.
Tribos de origem sabina e latina estabeleceram-se um povoado no monte Capitolino, junto às margens do rio Tibre, a partir do século VIII a. C.. E, já aqui, temos o primeiro enrosco fato-mito (seria uma paródia ao fato-fake?).
As áreas circunvizinhas ao Monte (Colina) Capitolino eram formadas por outros montes (ou colinas), totalizando, junto com o Capitolino, sete colinas. Segundo as raízes mitológicas, cada colina era controlada por um chefe, uma espécie de rei. Mas não há comprovações fidedignas de que isso de fato ocorreu.
E essa situação de incertezas percorreu toda a análise histórica acerca da monarquia romana.
Além de sabinos e latinos, umbros, oscos, etruscos e gregos compuseram os primeiros povos da Roma Antiga.
Frente a esse quadro, o que é inquestionável é o fato de que o início de Roma não foi marcado por nenhuma unidade política e social, muito menos cultural. Aliás, o que talvez mais dificulte conhecer as origens da Roma Antiga seja exatamente essa pluralidade dos povos, uma vez que, rotineiramente, um povo chegava e entrava em conflito com o povo residente, promovendo, muitas vezes, a destruição de elementos que nos ajudariam a compreender o nascimento de Roma.
Além do mais
O texto a seguir trará um olhar mais aprofundado sobre o início da história da Roma Antiga. Vamos começar
A região onde se localiza o rio Tibre e a civilização romana é a península Itálica, área importante já na Antiguidade devido à proximidade com diversos povos e culturas, além de estar inserida no espaço do mar Mediterrâneo. Ao passo de que essa pluralidade cultural dificultou uma união, ela deu início a uma cultura muito singular.  
Os povos que mais contribuíram para o processo inicial de formação da civilização romana foram os etruscos e os latinos. A maioria da população era formada por agricultores. Com o passar dos anos, esses povos começaram a invadir as regiões vizinhas.
As conquistas passaram a moldar a política romana, fazendo triunfar um povo sobre o outro, em especial os etruscos, povos vindos da Ásia Menor[4] para a Itália, antes mesmo da formação do primeiro povoado romano.
Segundo o professor Leoni[5], as raízes culturais orientais dos etruscos deram os primeiros modelos culturais à civilização romana. O que isso quer dizer? Quer dizer que os etruscos estão diretamente associados às características religiosas, mitológicas, políticas e artísticas da Roma Antiga. No 2º texto você saberá que a presença dos etruscos foi marcante no primeiro período da civilização romana, a monarquia.
A esse processo inicial de formação da cultura romana devemos incluir os gregos. E isso desde o século VII a. C. até o século II a. C. Não à toa, muitos deuses gregos ganharam novos nomes e passaram a ser deuses romanos. Eis o porquê das primeiras manifestações culturais da Roma Antiga serem profundamente religiosas.
Exercícios de Revisão
1) Faça uma descrição de como viviam os primeiros povoadores de Roma? Quais atividades econômicas eram praticadas?
2) Na Grécia Antiga temos mitos explicando a formação dessa civilização. E na Roma Antiga, isso ocorre? Qual seria o mito? 



[1] www.suapesquisa.com
[2] Leoni, G. D. “A Literatura de Roma” – 6ª ed. – São Paulo: Livraria Nobel S. A., 1961. p. 13
[3] paginas.terra.com.br/arte/mundoantigo/Roma
[4] A região da Ásia Menor é atualmente representada em grande parte pela Turquia.
[5] Leoni, G. D. “A Literatura de Roma” – 6ª ed. – São Paulo: Livraria Nobel S. A., 1961. p. 18

quinta-feira, 10 de maio de 2018

O governo de Getúlio Vargas a partir de 1937


O governo de Getúlio Vargas a partir de 1937
O presente texto pode ser iniciado com a seguinte ideia: o modelo de modernidade proposto e tão propalado por Vargas desde a sua chegada ao poder é, no mínimo, questionável. Se, por um lado, Vargas iniciou um incipiente processo de modernização na estrutura política brasileira, com a criação de ministérios, a possibilidade de sindicalização dos trabalhadores (mesmo que com limites bem definidos) e um incentivo à industrialização, o presidente manteve uma política de apoio à elite cafeeira, denotando muito mais uma busca por apoio político, bem como instituiu, em um curto período de tempo, medidas que o levariam a permanecer como presidente até 1945. Ou seja, apesar de aprovado o voto secreto e a participação das mulheres como eleitoras, Vargas usou de mecanismos nada democráticos para manter-se no poder. Em 1937 tinha início o Estado Novo.
O Estado Novo (1937 – 1945)
Meses antes das eleições presidenciais, que ocorreriam em janeiro de 1938[1], mais precisamente em 30 de setembro de 1937, a denúncia de um suposto plano comunista visando tomar o poder, o chamado Plano Cohen, fez com que os rumos da presidência fossem decididos antes mesmo da corrida eleitoral.
A ideia de Vargas foi claramente de causar uma comoção popular que justificaria o golpe de estado do Estado Novo. Havia relampejos na política brasileira das experiências trazidas com a Revolução Russa, ocorrida em 1917. Prova disso foi o fato de que a população realmente deu crédito à história veiculada (e forjada) pelo governo varguista. Havia ainda a Intentona Comunista, que traria mais dramaticidade à situação. À frente, trataremos da Intentona Comunista.
Assim, coube a Vargas apenas fazer um pronunciamento transmitido pelo rádio para todo o Brasil, instaurando uma ditadura no dia 10 de novembro de 1937, uma quarta-feira. Vargas aparecia como o salvador do Brasil ante as ameaças comunistas que perturbavam o sono de alguns brasileiros.
Como todo regime ditatorial, o Estado Novo ficou marcado pelo fechamento do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas, da Câmara dos Deputados, além de uma ampliação do poder de Vargas e o fim de todos os partidos e organizações civis. Nesse contexto, foram criados o Tribunal de Segurança Nacional, visando manter fora de cogitação qualquer movimentação contrária ao governo de Vargas, bem como o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), que além de controlar rádios e jornais, promovia Vargas através de um dos principais veículos de comunicação da época, o rádio.
Aliás, o rádio, como o que aparece abaixo, aparelho da década de 30, foi, indubitavelmente, um dos principais “aliados” de Vargas durante o Estado Novo. Foi através dele que Vargas construiu uma imagem que, mesmo após 60 anos da sua morte, permanece viva na cabeça de alguns brasileiros: a de “pai dos pobres”.
Getúlio Vargas sustentou sua propaganda populista com a ideia de uma nação soberana (assim como faziam os fascistas Mussolini e Hitler), enquanto controlava a máquina do Estado de forma autoritária, criando o Departamento Administrativo de Serviço Público para fiscalizar os governos estaduais. O interessante é pensar como as conjunturas internacionais estavam tão vivas em nosso país. E no mesmo período em que afloravam na Europa.
O governo de Vargas era tão centralizador que chegou a fechar todos os sindicatos, e as organizações trabalhistas passaram a ser entendidas, tratadas como patrimônio do Estado, ou seja, só o governo poderia opinar, liderar, interceder.
No entanto, Vargas sabia que o daria suporte ao seu governo era a ideia de um gestão forte, porém empenhada em proteger e promover o trabalhador brasileiro. Por isso, em 1943, editou a Consolidação das Leis de Trabalho, que atendeu a ala operária e lhe deu o apelido de “pai dos pobres”. Fato é que Vargas vivia a terrível dicotomia de um governo ditatorial que, dentro de alguns anos, lutaria contra governos ditatoriais...
Foi a 2ª Guerra Mundial um dos eventos que fez com que Vargas visse seu governo desmoronar. E o presidente brasileiro tinha consciência de que tal situação poderia ocorrer, tanto que relutou e muito em entrar no conflito, só o fazendo dada às pressões nacionais e internacionais, estas lideradas pelos EUA. Prova da relutância de Vargas quanto à entrada no conflito pode ser facilmente exemplificada por essa frase dita pelo próprio Getúlio sobre a presença ou não do Brasil na 2ª Guerra Mundial.
“Parece-me que os americanos querem nos arrastar à guerra, sem que isso seja de utilidade, nem para nós, nem para eles!”
A neutralidade do Brasil frente ao conflito durou até 1941. A partir dos ataques à Pearl Harbor, base militar estadunidense no Oceano Pacífico, os países participantes da Conferência Pan-Americana, que ocorria no Rio de Janeiro, em janeiro de 1942, decidiram condenar as ações das nações que compunham o Eixo (a saber, Japão, Alemanha e Itália), bem como apoiar uma intervenção militar do EUA na Europa, seja fornecendo equipamentos, logística, ou até mesmo enviando tropas. Vargas relutou e muito na tomada de decisão quanto ao que e como se posicionar. Mas ficaria muito mal para o seu governo ir contra um posicionamento geral dos países americanos (fortemente influenciados pelos EUA, é verdade), ainda mais em casa, uma vez que a Conferência ocorreu no Rio de Janeiro. Novamente, Vargas não tardou em mostrar ciência quanto aos efeitos em entrar em uma guerra contra ditaduras vivendo em uma ditadura.
“Devo confessar que me invade uma tristeza. Grande parte desses elementos que aplaudem esta atitude (romper relações diplomáticas com a Alemanha), alguns poucos que até me caluniam, são os adversários do regime que fundei (o Estado Novo), e chego a duvidar que possa consolidá-lo para passar tranquilamente o governo ao meu substituto.” (27/01/1942).
O evento que coroaria a participação brasileira na 2ª Guerra Mundial ocorreu no início de 1943, mais precisamente em 28 de janeiro daquele ano. Vargas e o então presidente estadunidense, Franklin Delano Roosevelt, encontraram-se em Natal para a uma Conferência, a Conferência de Natal. Apesar de haver declarado guerra à Alemanha e à Itália em agosto de 42, foi nesse encontro que os EUA conseguiram concretizar um importante projeto, já iniciado na Conferência: o estabelecimento de uma importante base militar no nordeste brasileiro, um aeroporto na cidade Parnamirim, bem próxima à Natal, capital do Rio Grande do Norte. No referido período os EUA tinham interesse em construir um aeroporto no litoral nordeste brasileiro para que assim as distâncias entre a América e o Continente Africano, onde se desenrolavam parte das ações dos aliados, fossem reduzidas, permitindo o deslocamento de equipamentos com maior facilidade.
E, de fato, o aeroporto foi muito utilizado pelos EUA. Durante a 2ª Guerra Mundial, o aeroporto Internacional Augusto Severo foi o mais utilizado do mundo! Abaixo, imagem do Parnamirim Field. Mecânicos brasileiros chegaram a receber curso para aprender o funcionamento dos motores dos aviões estadunidenses[2].
Nesse mesmo encontro, em Natal, fora criada a FEB (Força Expedicionária Brasileira), e, apesar das descrenças dos aliados, o Brasil enviou sim soldados para lutar na Europa contra as nações que compunham o Eixo.
Abaixo, imagem de ambos os presidentes. Sentado à esquerda, Vargas. E à direita, o presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt.


A 2ª Guerra Mundial e o fim do Estado Novo
Os movimentos de oposição à Vargas ganharam significativo volume a partir de 1943. E isso ocorria entre os mais diversos setores. Vide esse caso. “Entre os pracinhas da FEB, havia oito estudantes de Direito da Universidade de São Paulo, participantes de manifestações pacíficas de oposição a Getúlio, como a Passeata do Silêncio, em que desfilaram com mordaças negras para simbolizar a falta de liberdade de expressão”[3].
O ano de 1943 deflagra o primeiro protesto organizado contra o Estado Novo. Ocorrido em Minas Gerais, foi chamado de “Manifesto dos Mineiros”, e contou com a organização e assinatura de diversos advogados mineiros, sendo que alguns seriam decisivos nos rumos da política do Brasil após a queda do Estado Novo. Junto a esses manifestantes, tínhamos a presença de Monteiro Lobato, que chegou a ser preso pelo governo getulista.
Com o fim da 2ª Guerra Mundial as pressões para a queda de Getúlio se intensificaram. O começo de 1945 foi marcado por uma tentativa de Vargas de apaziguar a situação. Houve a definição, “em 28 de maio de 1945, de uma data para as eleições presidenciais (2 de dezembro), a anistia a Luís Carlos Prestes e outros presos políticos, a liberdade de organização partidária, e o compromisso de fazer eleger uma nova Assembleia Constituinte”[4], mas nada disso diminuiu o quadro de tensão. Em 29 de outubro de 1945 Getúlio Vargas foi deposto por um movimento militar liderado por generais que compunham seu próprio governo. Tal ação ocorreu porque os militares não aceitaram a nomeação de um dos irmãos de Getúlio, Benjamim Vargas, para chefe de polícia do Rio de Janeiro.
Getúlio foi então substituído pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, já que não tínhamos a figura de vice-presidente na Constituição de 1937. O poder ficou nas mãos de José Linhares até o dia 2 de dezembro de 1945, quando assumiu Eurico Gaspar Dutra.
A Intentona Comunista
Desde 1934, momento em que se iniciou o Governo Constitucional, podemos afirmar que surgiram movimentos contra o governo de Vargas. A Intentona Comunista foi um desses movimentos, visando derrubar o presidente e tomar o poder. Foi liderada pela Aliança Nacional Libertadora (ANL), uma organização contrária aos movimentos de extrema direita que apareciam no Brasil, sendo estes liderados pela Ação Integralista Nacional.
Fato é que o governo de Vargas agiu muito rapidamente, sendo relativamente curto o êxito atingido pelos revoltosos, indo de 23 de novembro a 27 de novembro de 1935. A ANL, no entanto, foi um movimento que deixou marcas na história do Brasil. Apoiados por Luís Carlos Prestes, os revoltos receberam ajuda militar (agentes vieram treinar os revoltos) e dinheiro da URSS.
Com a ação do governo Vargas, Prestes foi preso, e o governo assumiu ainda mais um caráter autoritário, abrindo caminho (e criando argumentos) para o golpe de estado em 1937. 
Abaixo, desenho representando o lema da ANL[5].



[1] Na disputa estavam José Américo de Almeida, situacionista, e Armando de Sales Oliveira, oposicionista
[2] MEDEIROS, Rostrand. Fotos de Parnamirim Field na Segunda Guerra Mundial. Disponível em: <https://tokdehistoria.com.br/2013/09/30/fotos-de-parnamirim-field-na-segunda-guerra-mundial/>.Acesso em: 10 de maio de 2018.
[3] Estado Novo (Brasil). Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_Novo_(Brasil))>. Acesso em: 10 de maio de 2018.
[4] http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_Novo_(Brasil)
[5] OLIVEIRA, Rodrigo. A Intentona Comunista de 1935. Disponível em: <http://nadaalemdeverdades.blogspot.com.br/2013/11/a-intentona-comunista-de-1935.html>. Acesso em: 10 de maio de 2018.